quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Me enganei 'redondamente'”...

Nesse trecho do samba 'Coração em desalinho', composição de Monarca e Ratinho, de 1986, e famosa nas vozes de Zeca Pagodinho e Maria Rita, nos deparamos com um advérbio um tanto quanto prosaico: redondamente.
Interessante a construção do vocábulo: derivação do adjetivo redonda, acrescido do sufixo mente. Ora, redonda é um adjetivo ligado a uma forma geométrica. O uso, porém, sacramentou a classificação de redondamente como advérbio de modo, no caso intensificando o sentido do verbo enganar, a exemplo de tanto, muito, grandemente.
Compositores e poetas procuram sempre sair do lugar comum, inovar, achar novos usos para as palavras. Essa palavra é especialmente oportuna pra isso. É muito mais enfático – e sonoro, gostoso – dizer me enganei redondamente do que me enganei muito.
O dinamismo e a riqueza de nossa língua é um prato cheio para a criatividade de nossos compositores e poetas, que vez por outra nos presenteiam com pérolas como a expressão que comentamos aqui. A música toda é uma poesia só.
Até a próxima.

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