“Me
enganei 'redondamente'”...
Nesse
trecho do samba 'Coração em desalinho', composição de Monarca e
Ratinho, de 1986, e famosa nas vozes de Zeca Pagodinho e Maria Rita,
nos deparamos com um advérbio um tanto quanto prosaico:
redondamente.
Interessante
a construção do vocábulo: derivação do adjetivo redonda,
acrescido do sufixo mente.
Ora, redonda é um
adjetivo ligado a uma forma geométrica. O uso, porém, sacramentou a
classificação de redondamente como
advérbio de modo, no caso intensificando o sentido do verbo enganar,
a exemplo de tanto,
muito, grandemente.
Compositores e poetas procuram sempre sair do lugar comum, inovar,
achar novos usos para as palavras. Essa palavra é especialmente
oportuna pra isso. É muito mais enfático – e sonoro, gostoso –
dizer me enganei redondamente do que me enganei muito.
O dinamismo e a riqueza de nossa língua é um prato cheio para a
criatividade de nossos compositores e poetas, que vez por outra nos
presenteiam com pérolas como a expressão que comentamos aqui. A
música toda é uma poesia só.
Até a próxima.
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